o que é
Fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 humano recombinante. Aprovado FDA 2005 como Increlex para deficiência primária grave de IGF-1 (Síndrome de Laron) — indicação rara em pediatria.
mecanismo de ação
IGF-1 é o principal mediador periférico dos efeitos do hormônio de crescimento. Produzido principalmente pelo fígado em resposta ao GH, circula ligado a proteínas carreadoras (IGFBPs) e age via receptor IGF-1R. **Receptor IGF-1R.** Estrutura similar ao receptor de insulina (conservação evolutiva). Ativação dispara cascata PI3K/AKT (sobrevida celular, metabolismo) e MAPK (proliferação). **Ação em crescimento linear.** Principal mediador do crescimento ósseo longitudinal em crianças. Em Laron (mutação em receptor de GH → GH elevado mas IGF-1 zero), suplementação de IGF-1 exógeno corrige o défice de crescimento. **Ação metabólica dual.** Em doses altas, tem atividade insulina-mimética — daí o risco de hipoglicemia em uso inadequado. É o principal efeito adverso clinicamente relevante. **Mecasermin (Increlex).** Molécula idêntica ao IGF-1 humano nativo, 70 aminoácidos, produzida por DNA recombinante em E. coli. Meia-vida curta (~12–15 min livre, algumas horas ligado a IGFBP-3). **Uso off-label esportivo.** Popular em bodybuilding e medicina esportiva por anabolismo muscular direto. Não há ensaio controlado em adultos saudáveis para essa indicação — a evidência clínica reside essencialmente em Laron e distúrbios pediátricos raros.
evidência
Increlex (mecasermin) · FDA clinical review NDA 021839
FDA NDA 021839 · FDA · review regulatória · 2005
Base da aprovação FDA: pacientes com SPIGFD (severe primary IGF-1 deficiency) em mecasermin 1–2 mg/kg/dia mostraram melhora sustentada de velocidade de crescimento (3,4 cm/ano baseline → 6,4 cm/ano em 12 meses). Perfil de segurança adequado em 3,9 anos médios de seguimento.
Efetividade e segurança de rhIGF-1 em pacientes com ou sem síndrome de Laron
PLOS One · Blair JC, Backeljauw PF, Dunger DB et al · 2021
Registro observacional pós-comercialização em crianças tratadas com mecasermin. Confirma eficácia em crescimento linear e detalha perfil de efeitos adversos (hipoglicemia, hipertrofia tonsilar).
protocolos documentados
Síndrome de Laron e SPIGFD · esquema aprovado (Increlex)
- 0,04–0,12 mg/kg · SC · 2× ao dia (pela manhã e ao dormir, junto com refeição)
Esquema aprovado FDA. Aplicação pediátrica supervisionada por endocrinopediatra. Refeição simultânea reduz risco de hipoglicemia.
Esquema aprovado FDA/EMA (Increlex). Doses individuais dependem de avaliação médica.
Precauções
Contraindicação absoluta:
- Neoplasia ativa ou histórico recente — IGF-1 é pró-proliferativo.
- Epífises fechadas (fim da fase de crescimento linear) em uso pediátrico — sem benefício de crescimento.
- Hipersensibilidade a mecasermin ou a qualquer excipiente.
Precauções (exigem avaliação):
- Risco de hipoglicemia — exige refeição simultânea à aplicação; cuidado especial em diabetes e em usuários de insulina.
- Gravidez e amamentação — sem dados robustos.
- Pessoas com tolerância reduzida à hipoglicemia (por qualquer causa).
- Doses altas ou uso off-label em adultos saudáveis — sinal teórico de risco oncológico (IGF-1 alto é fator de risco epidemiológico para câncer colorretal, próstata, mama).
Efeitos adversos comuns:
- Hipoglicemia — principal efeito adverso, com potencial de gravidade.42%
- Hipertrofia tonsilar e adenoides — pode causar ronco ou SAOS em crianças.12%
- Cefaleia.9%
- Lipoatrofia ou lipohipertrofia no sítio de aplicação com uso prolongado.7%
- Papiledema e hipertensão intracraniana idiopática — raro mas sério; suspender e reavaliar se cefaleia persistente.
PIA · como ela fala sobre IGF-1 (Mecasermin)
“IGF-1 é o principal mediador dos efeitos do hormônio de crescimento — é quem realmente faz o trabalho de crescimento periférico. Aprovado como medicamento (Increlex) pra síndrome de Laron, uma doença pediátrica rara. A base clínica em adultos saudáveis é essencialmente inexistente — o uso em bodybuilding ou reposição hormonal é off-label puro. O risco principal é hipoglicemia (IGF-1 tem ação insulina-mimética), e doses altas crônicas têm sinal teórico preocupante de risco oncológico. Se o objetivo é modular GH/IGF-1, análogos de GHRH (sermorelina, CJC-1295) permitem que seu próprio corpo produza IGF-1 no ritmo certo. Quer entender a diferença clínica?”