o que é
Peptídeo antimicrobiano endógeno humano de 37 aminoácidos, produzido pela clivagem da catelicidina (hCAP18). Combina atividade antimicrobiana de amplo espectro com ação imunomoduladora e pró-cicatrizante. Ensaios clínicos humanos existem em úlceras cutâneas, com resultados parciais.
mecanismo de ação
LL-37 é o único peptídeo antimicrobiano humano da família das catelicidinas. Nome deriva dos dois leucinas N-terminais e dos 37 aminoácidos totais. Produzido por células epiteliais, neutrófilos, macrófagos — sobe em pele lesada e infectada. **Ação antimicrobiana direta.** Peptídeo catiônico anfipático: atravessa membranas bacterianas criando poros, similar a outras defensinas. Atividade contra Gram-positivos, Gram-negativos e alguns fungos. Menos propenso a induzir resistência bacteriana que antibióticos convencionais. **Modulação imune.** Recruta neutrófilos e macrófagos para sítio de infecção; potencializa apresentação antigênica; modula fagocitose. Em pele cronicamente lesionada, LL-37 endógeno está REDUZIDO — base da hipótese terapêutica em úlceras crônicas. **Pró-cicatrização.** Estimula migração de queratinócitos, neovascularização e re-epitelização. Participa da transição inflamação → reparo. **Evidência humana parcial.** Em úlcera venosa de perna (n=34, Grönberg et al), LL-37 tópico 2× por semana por 4 semanas superou placebo em cicatrização. Em úlcera de pé diabético (ensaio de Jacarta, 2023), resultado misto: aumento significativo do índice de granulação, mas redução bacteriana não significativa. Base existe mas é pequena.
evidência
Peptídeo antimicrobiano humano LL-37 em feridas polimicrobianas · revisão de potencial terapêutico
Frontiers in Immunology · Dürr UHN, Sudheendra US, Ramamoorthy A (revisão) + dados Grönberg A et al · 2013
Revisão consolida base antimicrobiana e imunomoduladora de LL-37. Inclui referência a ensaio em úlcera venosa de perna com melhora significativa de cicatrização com aplicação tópica — base para desenvolvimento em feridas crônicas.
Eficácia de creme LL-37 em cicatrização de úlcera de pé diabético · ensaio duplo-cego
Archives of Dermatological Research · Ramadhinara A, Soegondo S, Gustaman A et al · 2023
Creme LL-37 vs placebo 2× por semana por 4 semanas. Aumento significativo do índice de granulação no grupo LL-37; redução bacteriana NÃO foi significativa. Resultado misto — promissor em cicatrização, não em desinfecção.
protocolos documentados
Úlcera cutânea crônica · esquema tópico do ensaio
- Creme LL-37 · aplicação tópica sobre ferida · 2× por semana · 4 semanas
Esquema dos ensaios em úlcera de perna e pé diabético. Aplicação com curativo estéril após limpeza da ferida.
Esquema baseado em ensaios fase 2 em úlceras cutâneas. Formulação é manipulada — padrão de pureza é relevante.
Precauções
Contraindicação absoluta:
- Hipersensibilidade conhecida ao princípio ativo.
- Infecção cutânea ativa severa (ex.: celulite, fasciite) — tratar com antibiótico sistêmico primeiro.
Precauções (exigem avaliação):
- Psoríase — níveis elevados de LL-37 endógeno estão associados à patogênese da psoríase; adicionar LL-37 tópico em pele psoriática pode agravar.
- Gravidez e amamentação — sem dados robustos.
- Rosácea — LL-37 parece contribuir para fisiopatologia; uso tópico em pele roseácea pode exacerbar.
Efeitos adversos comuns:
- Reação local no sítio de aplicação (eritema, prurido, ardor transitório).
- Sensação de calor na aplicação.
- Perfil de segurança tópico é favorável nos ensaios pequenos publicados; base de uso crônico ainda é limitada.
PIA · como ela fala sobre LL-37 (Catelicidina)
“LL-37 é diferente da maioria dos peptídeos antimicrobianos: é o seu — é humano, endógeno, parte do sistema imune inato. Em feridas crônicas, LL-37 local cai, e a hipótese terapêutica é reforçar. Em úlcera venosa de perna, um ensaio com 34 pacientes mostrou melhora com aplicação tópica 2× por semana. Em úlcera de pé diabético (ensaio de Jacarta 2023), o resultado foi misto — melhor granulação, mas sem redução significativa de bactérias. Não é magia; é um candidato terapêutico interessante com base humana pequena. Se o contexto é ferida crônica difícil, faz sentido conversar com especialista sobre opções incluindo LL-37.”
Mais peptídeos em Imunidade
KPV (Lys-Pro-Val)
Tripeptídeo derivado do C-terminal de alpha-MSH. Inibidor potente de NF-kB com base preclínica robusta em modelos animais de doença inflamatória intestinal. Ensaios clínicos humanos ainda não publicados — FDA destacou a ausência de dados de exposição humana.
Thymosin Alpha-1
Peptídeo imunomodulador de 28 aminoácidos produzido naturalmente pelo timo. Aprovado em mais de 30 países (incluindo Brasil, como Zadaxin) para hepatite B crônica e como adjuvante imunológico em pacientes imunocomprometidos.
Vilon
Dipeptídeo Khavinson (Lys-Glu) proposto como bioregulador tímico e imunomodulador. Foco em imunossenescência. Base russa sem replicação.